Quando começamos a pensar nisso?

Com o início das práticas de agricultura, na era paleolítica (eu avisei que começaria bem do início), o homem começou a aprimorar a produção de utensílios e ferramentas. O escambo, a divisão do trabalho e a vida em aglomerações humanas fez com que aumentasse a necessidade de consumo e umas pessoas passassem a produzir para outras. Ainda que de forma empírica, a qualidade sempre esteve presente na vida do homem. A confecção de utensílios cada vez mais aprimorados, confiáveis, e a progressão do zelo em atividades básicas como a agricultura, são indícios da necessidade humana de obter resultados cada vez melhores para seus produtos.

paleolitica
Hul! Obtemos sempre os melhores resultados!!!

Na luta pela sobrevivência, o homem das cavernas caçava animais selvagens para se alimentar. Quando descobria que as ferramentas de caça – tais como lança, cajado e faca de pedra – estavam com qualquer tipo de problema, tentava melhorá-las.

bambole
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No ano de 2150 a.C., as habitações produzidas já atendiam as especificações de durabilidade e funcionalidade estabelecidas pelo código de Hamurabi. Fenícios amputavam a mão do fabricante de produtos que não atendiam as especificações governamentais. Os egípcios usavam sistemas de medição nas pedras das pirâmides. Gregos e romanos mediam construções no intuito de se certificarem quanto às especificações.

Por volta dos séculos 11 a.C. e 8 a.C., a China mantinha leis e decretos que proibiam a venda de utensílios cujas dimensões não atendessem as exigências normativas. Tal fenômeno indica que, além da existência de um modelo referencial para o exame da qualidade de um produto, desde a Antiguidade já existem normas a serviço do controle da qualidade de bens que circulam em uma sociedade, de modo que produtos inferiores fossem excluídos.

Até o início do século XIX, toda a produção era artesanal, em pequenas quantidades e havia participação do trabalhador durante todo o processo. Conceitos como: conformidade, confiabilidade, metrologia, tolerância e especificação ainda não existiam. Para o artesão, o foco era o produto final e não o processo produtivo. Em outras palavras, havia a preocupação com o produto pronto, acabado.

Também não havia quebra de expectativa com relação ao produto: o artesão sabia quais eram as necessidades e desejos de seus clientes, que, por sua vez, conheciam as habilidades e as limitações do artesão. O cliente insatisfeito imediatamente reclamava com o artesão, que implementava as melhorias necessárias ao produto.

Sim, Senhor. Eu vou refazer seu paletó pela milésima vez.
Sim, Senhor. Eu vou refazer seu paletó pela milésima vez.

Os artesãos deram lugar aos operários não especializados e o conhecimento sobre o produto passou a ser propriedade da empresa. O proprietário fornecia o capital (instalações, máquinas, matéria-prima e tecnologia) e o trabalhador fornecia o seu trabalho. Toda a produção era então examinada pelos inspetores, mas isso gerava um custo muito alto e limitava a capacidade de produção, uma vez que a tarefa de verificação se acumulava no inspetor. Esse acúmulo gerava o que hoje é entendido como “gargalo de produção”.

Apenas como reflexão, deixo os seguintes questionamentos:

a) Como os proprietários resolveram esta questão do acúmulo de inspeções? A prática adotada na época, seria hoje considerada adequada?

b) Com a produção em massa, as expectativas dos clientes eram representativas e  impulsionavam o desenvolvimento de novos produtos?

c) Como as mulheres suportavam espartilhos tão apertados?

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Referências bibliográficas:

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ABRANTES, José. 2009. Gestão da Qualidade. Rio de Janeiro : Interciência, 2009.

ALGARTE, W. e QUINTANILHA, D. 2000. A história da qualidade e o Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade. Rio de Janeiro : Inmetro/Senai, 2000.

FERNANDES, Waldir Algarte. 2011. O Movimento da Qualidade no Brasil. s.l. : Inmetro, 2011.

GARVIN, D.A. 2002. Gerenciando a qualidade: a visão estratégica e competitiva;. Rio de Janeiro : Qualitymark Ed., 2002.

MARSHALL J., Isnard, et al. Gestão da Qualidade. s.l. : FGV, 2010.

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