Por que nos frustramos, mesmo fazendo o que amamos?

Para iniciar esse assunto, gostaria de abordar que há uma diferença entre gostar do que se faz e fazer o que se gosta.

Na minha primeira aula do curso de Engenharia, o coordenador perguntou: “o que você gosta de fazer?”

E meus companheiros de sala responderam sem pestanejar: “Adoro física!” “Resolver equações!” “Gosto de laboratório, análises…”

Enfim…eu achava aquilo tudo muito estranho, mas né, quem sou eu?

E eis que chega a minha vez: “gosto de viajar, ver filmes, sair para jantar, comer…”

E todos na turma simplesmente caíram na gargalhada.

Eu, de verdade, não entendi. Estava sendo sincera. A palhaça da turma, provavelmente. Mas sincera.

– “Então você deve estar na turma errada!”, ele me respondeu.

Tomei birra com esse coordenador logo no primeiro dia.

  dog

 (Minha cara para ele)

Eu não estava na turma errada.

Eu sabia exatamente o porquê de eu estar ali, naquela turma, naquela universidade.

E não era porque “era a coisa que eu mais amava na vida”…era uma escolha. Algo que escolhi fazer, porque sabia que era importante para mim, para minha vida.

Amando ou não, uma certeza eu tinha: eu ia aprender a gostar. E foi bem assim.

Muitos dos que responderam que amavam Cálculo, desistiram no terceiro período. Eu não.

Parte dessa desistência, no meu entendimento, é fruto da desinformação.

Você escolhe fazer algo com base naquilo que você ama (ou imagina amar), mas, sem ter se dado ao trabalho de pesquisar profundamente antes.

Como alguém que ama viajar e pensa: Uauuu, vou trabalhar com turismo!

Nossa, que engano!!!

A pessoa que trabalha com turismo é a que menos viaja, e, caso seu trabalho envolva viajar muito, sempre será trabalho e não lazer!

 Ser turista é diferente de trabalhar com turismo.

Gostar de cozinhar é diferente de se tornar um grande cozinheiro ou chef.

Eu sempre uso esse exemplo.

Você ama cozinhar, mas não lava sua própria louça? Você talvez não esteja preparado para estudar anos de gastronomia ou ir trabalhar em uma cozinha renomada, sabia?

Carregar o piano é fundamental.

  cozy

 (Jura que tem que lavar a louça e limpar a cozinha?)

Quando temos uma ideia de algo, uma ideia de negócio, ou quando desejamos entrar em uma nova empreitada (fazer um curso, morar fora, se mudar, abrir empresa) é preciso que estejamos atentos a todos os riscos e oportunidades que vêm junto no pacote.

Analisar perdas e ganhos.

Resumindo: é preciso se informar; pesquisar se estamos ou não tomando a decisão correta. Entender qual o real impacto e significado daquilo, daquela escolha em nossas vidas. Fazer isso, independente do amor ou paixão que sentimos.

 Felicidade e Infelicidade são sentimentos muito próximos.

Percebam que me refiro a sentimentos.

Sim, a felicidade é um processo que nos deixa feliz e não algo a ser conquistado e ponto.

Felicidade é a caminhada, o caminhar. Não existe “uma vez feliz e sempre feliz”. A vida é feita de perder e ganhar; o que nos deixa feliz ou infeliz é parte de um único processo – a caminhada.

Existe um Ciclo, desenhado pelo autor Eldes Saullo, que eu gosto bastante, e ilustra muito bem isso.

 ciclo

 Adaptado de “150 Nichos Quentes” Eldes Saullo, 2015.

Logo que temos uma ideia ou quando algo nos toca o coração, somos tomados por um sentimento de profunda euforia. Só a sensação de nos imaginarmos em um futuro próximo realizando algo, já nos deixa com essa sensação de felicidade.

Certa vez, um corretor de imóveis me disse: nunca compre o imóvel pelo qual você se apaixonou.

Faz sentido. Uma vez apaixonada, eu não perceberia infiltrações, reparos mal feitos…eu tenderia a achar tudo lindo, tudo perfeito, feito para mim!!!

E é aí que mora o perigo. Nesse otimismo.

É preciso saber se esse otimismo é algo fundamentado ou não.

Não adianta estar otimista com algo que não sabemos bem o que seja.

brad

 (Nem sei se é bom, mas estou feliz!)

Muitas vezes, essa sensação de euforia nos leva a um sentimento tão bom, e, por estarmos assim tão imbuídos dessa graça, acreditamos na falsa ideia de que “já temos informação suficiente e estamos prontos”. Ledo engano.

A informação, assim como a felicidade, não tem início, meio e fim. Ela está conosco, de braços dados em nosso processo. A informação é nossa aliada no caminho a ser seguido.

Otimismo é maravilhoso, claro! Mas é preciso estar atento, porque o otimismo desinformado também é encantador. Mas eu não recomendo ele a ninguém.

O otimismo desinformado te alimenta, te enche de motivação, te faz suar as mãos…mas, sinto dizer: não te levará a lugar algum, sorry.

 O Ciclo da frustração surge conforme a informação vai aparecendo.

E esse ciclo é um vilão e tanto! Capaz de derrubar qualquer sonho, qualquer projeto, qualquer desafio.

A medida que vamos nos informando sobre a realidade dos fatos, conhecendo números, entendendo o que o mercado está nos mostrando, a tendência é que esse sentimento de felicidade se transforme em infelicidade.

E assim assumimos a posição de “Pessimistas informados”. O que antes era sonho, vira pesadelo. Ou frustração.

devolta

 (Como assim eu não sabia disso, cara???)

É duro admitir para nós mesmos que falhamos. Que não planejamos corretamente, que nos iludimos, que deixamos a coisa rolar e pá! Estamos frustrados.

É tão ruim admitir que estávamos no caminho errado!

Talvez seja por isso que sair do puxado redemoinho do ciclo da frustração seja tão dolorido.

E com isso, a maioria dos projetos permanece ali. Morre ali. Encerra-se com o ciclo da frustração.

A desistência passa a fazer parte do vocabulário, aparentando ser a única, e, claro, mais segura saída.

 Frustração >> desistência >> retorno ao conforto

Felicidade? Não. Apenas conforto e segurança.

Você retorna ao que sua mente já entende como seguro.

Como sobreviver, então, a esse redemoinho que arrasta cada vez mais gente?

Com o delicioso alimento da informação.

O suquinho gummy. O elixir. A salvação.

Não preciso dizer que o ideal é que a informação venha antes, para que a frustração não chegue pesada.

Entretanto, não há (não que eu saiba), na história dos negócios, alguém que tenha acertado tudo de primeira.

Segundo a Endeavor, tirando bancos e petrolíferas, todos os empreendedores de sucesso quebraram no mínimo 3 vezes.

Veja bem: 3 vezes. No mínimo.

Então, nunca se sinta inferior ou com vergonha por falhar. É normal falhar. A questão é o que podemos aprender com essas falhas para que elas não se repitam.

Como transformar a DESISTÊNCIA em RESISTÊNCIA inteligente.

A resistência inteligente é tomada por informações, estudo, pesquisas, observações, dados, planos. Somente ela nos fará alcançar novamente o limiar da felicidade. Usando aquilo que foi aprendido para continuar seguindo em frente.

Ser um otimista informado.

Trabalhar com a resistência inteligente.

Desta forma, é pssível entrar novamente na linha da felicidade e da busca pelo propósito.

Seu propósito não é o fim, mas o que te move na caminhada.

Voltando ao meu exemplo, meu propósito era formar-me Engenheira. Nada e nem ninguém iria me parar.

Mas eu precisei sair do Ciclo da frustração inúmeras vezes.

Precisei aprender a ter método de estudo, concentração. Precisei exercitar meu lado analítico.

Repense seu negócio, sua vida, seus projetos. Beba o elixir da informação e se fortaleça todos os dias. Sim, todos os dias. É uma rotina.

O aprendizado precisa fazer parte da rotina. Eis a única forma de livrar-se do cruel redemoinho da frustração.

Bjs!

Leia mais sobre fortalecimento da mente clicando aqui.

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